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DIÓGENES

(cerca de 400- ? a.C.)

Filósofo grego, nascido em Sinope

Seu pai, Icésio, foi banqueiro e, segundo Diógenes Laércio, responsabilizado por falsificação de moeda corrente, tendo sido expulso e exilado com a família. Segundo outras fontes, foi o próprio Diógenes quem fundiu moeda falsa (e ele mesmo o teria admitido) e, como conseqüência, foi condenado ao exílio ou, antes mesmo de ser condenado, fugiu. Viveu por muito tempo em Atenas, mas também em Corinto, onde morreu. A cronologia de Diógenes é bastante controvertida. As datas mais seguras continuam sendo as indicadas por Diógenes Laércio, o qual informa que Diógenes morreu com cerca de 90 anos. As fontes antigas dizem claramente que Diógenes foi discípulo de Antístenes. Diógenes Laércio narra inclusive como se teria dado o encontro entre os dois Filósofos: "Chegando a Atenas encontrou-se com Antístenes. Antístenes não queria ninguém como aluno, mas Diógenes, perseverando assiduamente, conseguiu convencê-lo. Certa vez, Antístenes ergueu seu bastão contra ele. Diógenes ofereceu-lhe a cabeça dizendo: Podes bater, pois não encontrarás madeira tão dura que possa fazer-me desistir de conseguir que me digas algo, como parece que deves. A partir daí tornou-se ouvinte e, como exilado, dedicou-se a um moderado teor de vida". Dizem que Antístenes é o fundador do cinismo teórico e, Diógenes, do cinismo prático, mas o núcleo essencial do pensamento de Diógenes já está em Antístenes. A imagem que Diógenes passava do homem grego foi logo considerada um paradigma. A missão que Diógenes se propôs foi, justamente, trazer à vista aqueles fáceis meios de vida, e demonstrar que o homem tem sempre à sua disposição o que é necessário para ser feliz, desde que saiba dar-se conta das efetivas exigências da sua natureza. Numa viagem que fez de Atenas para Egina, foi capturado por piratas que o venderam como escravo a um homem rico de Corinto, que lhe restituiu a liberdade. Passado o mal entendido, contam os historiadores que Alexandre, o Grande, foi visitá-lo em Corinto e, estando frente a Diógenes perguntou-lhe se desejava algo, então Diógenes lhe respondeu: "Sim, que te afastes um pouco, pois estás encobrindo o Sol". Sua filosofia consistia em desprezar a riqueza e rejeitar as convenções sociais. As matemáticas, a física, a astronomia e a música são, para ele, "inúteis e desnecessárias". Para Diógenes, o homem (como regra de vida) deve sobrepor seu aspecto animalesco sobre o espiritual. Portanto, é um animal que indica ao cínico o modo de viver: um viver sem metas (que a sociedade propõe como necessárias), sem necessidade de casa e de morada fixa e sem o conforto das comodidades oferecidas pelo progresso. Diógenes proclamou a liberdade de palavra. O cínico diz o que pensa a todos. Junto com a liberdade de palavra, Diógenes proclamou a liberdade de ações, uma liberdade às vezes levada ao limite da imprudência. O método de Diógenes, que pode conduzir à liberdade e à virtude e, portanto, à felicidade, resumi-se nos dois conceitos essenciais de "exercício" e "fadiga", que consistiam numa prática de vida própria para temperar o físico e o espírito ante as fadigas impostas pela natureza e, ao mesmo tempo, apta para habituar o homem ao domínio dos prazeres e ao "desprezo" deles. O desprezo do prazer é fundamental na vida do cínico. Aliás, o cinismo pejorativo que conhecemos hoje vem justamente deste desprezo. Seu ideal supremo era o bastar-se-a-si-mesmo. O não-ter-necessidade-de-nada, a "autarquia" já pregadas pelo mestre, assim como a "apatia" e a "indiferença". O cinismo com Diógenes, segundo historiadores, tornou-se a mais "anticultural" das filosofias. Diógenes não só levou às últimas conseqüências tudo o que seu mestre pensou, mas soube transformar em prática com rigor e coerência radicais, que por séculos inteiros foram considerados verdadeiramente extraordinários. O cinismo se propagou até o final da era pagã, influenciando várias correntes filosóficas posteriores; foi conhecido como "a via prática para a virtude". Embora não tenha sobrado nada escrito por ele, nem das suas reflexões, sobram comentadores de sua doutrina que durou séculos e continua valendo.

Acontecimentos culturais e históricos:

400 - Expedição dos Dez Mil
387 - Incêndio de Roma pelos gauleses
371 - Vitória tebana em Leuctras
362 - Mantinéia: fim da supremacia tebana
360 - Filipe, rei da Macedônia
351-340 - Demóstenes: As Filípicas
340-320 - Histórias de Éforo e de Teopompo
338 - Queronéia: Filipe, soberano dos gregos
336 - Advento de Alaxandre
330-262 - A "Nova Comédia"
323 - Morte de Alexandre

Bibliografia recomendada:

REALE, Giovanni. História da Filosofia Antiga. São Paulo, vol. I, Edições Loyola, 1993