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LUDWIG FEUERBACH

(1804-1872)

Filósofo alemão

Ludwig Feuerbach nasceu em 28 de julho de 1804, na cidade de Landshut, na Baviera. Inicialmente estudou teologia em Heidelberga. Mais tarde foi para Berlim, curioso para entrar em contato com Hegel e sua filosofia. Tornou-se um fervoroso hegeliano, chegando a declarar em uma carta à seu pai: "Aprendi com Hegel em quatro semanas tudo o que antes não aprendi em dois anos". Em 1830, lecionou em Erlagen, assumiu posição oposta à direita hegeliana. Nesta época, publicou um trabalho intitulado: "Pensamentos sobre a morte e sobre a imortalidade"; através do qual explicitava hostilidade às idéias religiosas. A polêmica que este trabalho gerou, fez com que sua carreira acadêmica fosse interrompida, levando-o a mudar-se para Burckberg. A partir daí, dedicou-se somente aos estudos, vivendo uma vida solitária. Em 1848, retornou para lecionar um curso em Heidelberga, a convite de alguns alunos, ocasião esta em que produz a obra: "Lições sobre a essência da religião", publicada em 1851. Este foi um momento raro na vida de Feuerbach, que viveu sempre isolado dos demais e na miséria. Faleceu em Richnberg em 1872, esquecido por todos. Feuerbach publicou as seguintes obras: "Pensamento sobre a morte e sobre a imortalidade" (1830); "Lições sobre a essência da religião" (1848-1849); "Crítica à filosofia hegeliana" (1839); "Teses provisórias para a reforma da filosofia" (1843); "Princípios da filosofia do futuro" (1844); "A essência do cristianismo" (1841); "A essência da religião" (1845); "Teologia segundo as fontes da antiguidade clássica judaica-cristã" (1857); "Divindade, liberdade e imortalidade do ponto de vista da antropologia" (1866); "Espiritualismo e materialismo" (1866); "O eudemonismo" - póstuma. Feuerbach denomina seu método de histórico-filosófico, em oposição à análise histórica do cristianismo. O conteúdo que a crítica histórica do cristianismo elimina por não considerar verdadeiro, a crítica histórico-filosófica considera como revelação da essência humana. Considera que o histórico é determinado pelo filosófico. Feuerbach, por exemplo, frente a um milagre, não questiona se ele o é de fato, mas sim interroga à respeito dos impulsos humanos que levariam à imaginação, já que considera o milagre como um poder da imaginação humana. O autor afirma que sua obra desenvolve uma nova filosofia, que é fiel ao homem e não a uma escola, a uma corrente. Adota como objeto principal a religião, em particular o cristianismo. Considera a religião a essência imediata do ser humano, acreditando assim poder explicitar os "tesouros escondidos no homem". Reduz atributos divinos da teologia a atributos humanos da antropologia. Sua filosofia procura transformar a teologia de Hegel em uma antropologia baseada no mesmo princípio, a unidade do limite e do infinito. Compondo a esquerda hegeliana, Feuerbach defende a idéia de que para Hegel a religião não é razão, e sim representação, sendo então redutível ao mito. Esta facção, em um primeiro momento, faz uso das idéias hegelianas dirigindo-as contra a teologia e a filosofia tradicional. Em uma segunda etapa, acaba por criticar as abstrações hegelianas em defesa do homem concreto, e a fé cristã em defesa de uma metafísica imanentista. Distancia-se de Hegel, entre outras coisas, ao eleger o homem concreto como sua prioridade e não a idéia de humanidade. A ele interessa a natureza, a capacidade, sensibilidade e necessidade. Para Feuerbach, o homem é quem cria Deus e não ao contrário. Segundo o autor, a filosofia precisa dar conta deste homem como um todo, e não somente da razão que o compõe. Deve abraçar a religião, enquanto fato humano, considerando este homem em comunhão com outros homens, caminho este através do qual ele pode sentir-se livre e infinito. O autor acredita que somente a religião dá conta do homem em sua totalidade. Este filósofo sugere que a religião desempenha um importante papel na vida do homem concreto e diz: "a consciência que o homem tem de Deus é a consciência que o homem tem de si". Acredita que para se conhecer um homem, basta conhecer seu Deus, já que na sua concepção a religião, o Deus do homem, nada mais é do que a projeção da intimidade da essência do homem. Assim sendo, para Feuerbach o método da teologia é a antropologia, pois o homem deposita em seu Deus o que lhe pertence. Percebe a necessidade existente no homem da religião, uma vez que ela lhe serve como alívio frente às angústias, à dor e ao sofrimento da existência, que a natureza somente provoca e não alivia. O homem é dependente da natureza para existir. A natureza é sentida como necessidade, e é ai que surge a religião, opondo-se entre o querer e o poder, pensamento e o ser, etc. Diante da natureza o homem sente-se limitado, finito, já a religião teria a possibilidade da onipotência e da infinitude de Deus para oferecer ao homem. Os desejos do homem estariam assim representados enquanto possibilidade na figura de Deus, que é a representação imaginária da realização de todos os desejos humanos, superando os limites que a natureza lhe impõe. Deus domina a natureza, pois para o homem, ele é quem a cria. Assim sendo, Feuerbach desloca a divindade de um Deus externo ao homem para o próprio homem. Ele é o Deus dele mesmo, e diz: "O ser absoluto, o Deus do homem é o próprio ser do homem." Deus é então a consciência que o homem tem de sí mesmo, de seu ser. A exemplo disto, a perfeição divina nada mais é do que o desejo do homem de ser perfeito e a consciência que tem de si, enquanto um ser imperfeito . O amor, a crença, o desejo e etc., atribuídos a Deus, que segundo Feuerbach, deveriam voltar-se para o próprio homem e para seu igual. Acredita que o homem deveria acreditar nele mesmo. No entanto, este filósofo aponta um erro na religião, que é a ilusão que ela cria. Ao mesmo tempo que oferece um sentido de vida para o homem e uma forma de ele lidar com suas limitações, a religião acaba por distânciá-lo dele mesmo, exteriorizando a própria divindade. Feuerbach exerce forte influência em alguns pensadores, com destaque a Marx. Para entender a teoria de Marx, é necessário conhecer Feuerbach e todo o pensamento da esquerda hegeliana. Feuerbach de início torna-se simpatizante da esquerda hegeliana e mais tarde acaba por opor-se a ela.

Acontecimentos culturais e históricos:

1804 - Napoleão imperador - Código Napoleônico
            Schelling - "Filosofia da Religião"
1805 - Batalhas de Trafalgar e Austerlitz
            Paz de Presburgo
1806 - Fim do Sacro Império Romano
1808-1809 - Napoleão na Espanha
1810 - Berlim - fundação da Universidade
1811 - Venezuela - independência
1812 - Espanha - Constituição de Cadiz
            Napoleão na Rússia
1813 - Derrota de Napoleão em Lípsia
1814 - Napoleão é forçado a abdicar
            Stephenson - locomotiva a vapor
1814-1815 - Congresso de Viena
1814-1824 - Luís XVIII - rei da França
1815 - Os Cem Dias
            Waterloo
            Santa Aliança
            Fresnel - teoria ondulatória da luz
1816 - Argentina - independência
1817 - Hegel - "Encicliopédia"
1818 - Chile - independência
1819 - Colômbia - independência
1820-1821 - Movimentos Liberais
1821 - Peru - independência
1822 - Brasil - independência
1823 - Estados Unidos - doutrina Monroe
1824 - Beethoven - "Nona Sinfonia"
1825 - Bolívia - independência
1830 - França - revolução de julho
1831 - Bélgica - independência
            Gregório XVI - papa
            Viagem de Darwin ao redor do mundo
1832 - Inglaterra - reforma eleitoral
1833 - Inglaterra - leis sociais
1840 - Guerra do Ópio
            Trendelenburg - "Pesquisas Lógicas"
            Gioberti - "Introdução ao Estudo da Filosofia"
1841 - Joule - a lei da energia elétrica
1843 - Kierkegaard - "Autaut"
            J.S.Mill - "Sistema da Lógica"
1846 - Morton - anestesia com éter
1847 - Europa - crise econômico financeira
1848 - Revolução na Europa
            Primeira Guerra de Independência Italiana
            Marx-Engels - "Manifesto do Partido Comunista"
1852 - Napoleão III - imperador
            Cavour - primeiro-ministro
1853-1854 - Japão - abre seus portos aos ocidentais
1854 - Barsanti-Matteucci - motor a explosão
1855 - Campanha da Criméia
            Spencer - "Princípios da Psicologia"
1856 - O Congresso de Paris
1859 - Segunda Guerra de Independência Italiana
1860 - Itália - Expedição dos Mil
1861 - Itália - Proclamação do Reino
1861-1865 - Estados Unidos - Guerra da Secessão
1865 - Estados Unidos - abolição da escravatura
            Morre Lincoln - vítima de atentado
            Mendel - a lei da hereditariedade
            Berhard - "Introdução ao Estudo da Medicina Experimental"
1866 - Estados Unidos - igualdade civil dos negros
            Guerra Austroprussiana
1867 - Marx - "O capital" volume 1
1869 - Abertura do Canal de Suez
            Estados Unidos - ferrovia transcontinental
1869-1870 - Concílio Vaticano I: infantilidade do papa
1870 - Guerra Francoprussiana
1871 - Proclamação do Império Germânico
            A Comuna de Paris
            Darwin - "A Origem do Homem"
1872 - Nietzsche - "O Nascimento da Tragédia"
            Dostojevskji - "Os Demônios"

Bibliografia recomendada:

ABBAGNANO, Nicola. História da Filosofia. Vol. IX, Lisboa, Presença, 1970.

HIRSCHBERGER, Johannes. História da Filosofia Contemporânea. São Paulo, Herder, 1963.

REALE, Giovanni e ANTISERI, Dario. História da Filosofia. Vol. III, São Paulo, Paulus, 1991.